Ricardo fala…


Poucos e bons
Fevereiro 23, 2009, 7:14 pm
Arquivado em: Automóveis

Há anos o mercado implora pela volta dos esportivos nacionais de verdade. A década de 1990 marcou o fim deles — ou quase isso. As siglas GTi, GSi, XR3, R  estampavam a tampa dos modelos que realmente traziam a “pegada esportiva”, tanto no visual como no desempenho. Gol GTi e Uno 1.6R era ouro na mão dos jovens. E o Uno Turbo então? Para poucos que podiam desfrutar muito bem dos 116 cv presentes no pequeno motor 1.4. O pobre Kadett Gsi com seus 121 cv e o painel digital sumiu das ruas de tanto que foi “malhado” pela molecada nos seus tempos áureos.

De dez anos para cá, o mercado ficou sem estes modelos, substituídos por carros com as siglas GT, SS e ST utilizadas em heresia, em modelos que de esportivo trazem muito pouco. Mas devemos admitir que as montadoras brasileiras começam a pensar neste mercado quase que abandonado. Prova disso são dois modelos que darão o que falar em 2009 — infelizmente, deixaremos o Golf GTi de lado, que teve sua produção encerrada pela Volkswagen na última semana. As bolas da vez são Civic Si e Punto T-Jet.

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O sedã da Honda atua no mercado nacional há mais de um ano, mas só agora após a primeira reestilização, eu tive a oportunidade de guiá-lo durante reportagem para a revista Autoesporte de março. Um tesão, como muitos me falavam. Os bancos abraçam o condutor e uma volta em rua desnivelada nos faz sentir a bordo de um esportivo graças aos pulos da suspensão, rígida e não desconfortável, afinal, é um esportivo genuíno. Os 192 cv do excelente motor I-VTEC dão conta do show.

Engate primeira marcha e pise fundo, a segunda marcha entra e você acha que próximo dos 6.000 rpm terá eu trocá-la? Doce ilusão. Os 7.000 rpm funcionam com um empurrão no peito, você gruda no banco e o carro ganha o fôlego extra do I-VTEC e você está a quase 120 km/h em segunda marcha, isso mesmo, segunda. O Si tem fôlego a todo instante e garante um grande sorriso no rosto de um entusiasta, como este meu ao lado do carro, mostrado na foto feita pelo meu amigo Ivan Carneiro.

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A segunda grande aposta de esportivo para este ano é o Punto T-Jet. Anote e me cobre depois: ele vai dar o que falar. A estratégia de preço da Fiat é ousada — vocês saberão em breve — e o hatch tem atributos suficientes para reinar sozinho no mercado de esportivos nesta faixa de preço. Sob o capô ele traz o mesmo motor 1.4 italiano já utilizado no Línea, movido a gasolina. São 154 cv ganhos com a ajuda de um turbocompressor trabalhando com 1,0 bar de pressão. O resultado é um torque de 21,1 kgfm logo aos 2.250 rpm. Basta acelerá-lo e ver que eles realmente estão lá. A terceira marcha lembra que debaixo de um capô tem um turbo, que leva o piloto — ou motorista — do Punto à loucura.

E não pense que em visual eles deixam a desejar.  O Civic Si é mais discreto e as diferenças estão nos adesivos laterais, na grade preta, no aerofólio e nas rodas de 17”. Já o T-Jet é esportivo da gema, com indício no visual, inspirado na versão européia Abarth. Os para-choques e para-lamas são diferentes da versão convencional, assim como as rodas também de 17”. Ainda há aerofólio e adesivos com o sobrenome do modelo. Mesmo que por enquanto sejam apenas dois carros, não podemos deixar de frisar: voltamos a ter esportivos de verdade no mercado nacional.

Ricardo Tadeu



Nosso ouro está guardado
Fevereiro 10, 2009, 1:55 am
Arquivado em: Futebol

selecao

Assistir a seleção brasileira ficou um saco. “Ricardo Teixeira, Dunga & Cia” repetem erros e continuam insistindo nas mesmas cartas do baralho. Há tempos o torcedor não vê um brasileiro de verdade honrando a amarelinha. Os convocados são quase sempre os mesmos e, quando não são, mantém um mesmo padrão adotado por Dunga: joga na Europa e não possui qualquer identificação com o torcedor brazuca. Porém, sempre é tempo de renovar e o nosso espírito visionário acendeu: já temos a dupla de ataque da seleção brasileira na Copa de 2010.

Do interior do Paraná vem Alexandre Pato, jovem de 19 anos que foi apontado como uma das grandes revelações do futebol mundial e, só agora, começa a demonstrar os primeiros resultados. O garoto já teve chances na seleção e ainda não embalou, mas vai embalar. Tem potencial. Se os entusiastas do futebol apostavam em um novo fenômeno ou mais que isso, truco! Não blefe e guarde esta carta valiosa do baralho. Pato despontou no Internacional de Porto Alegre e infelizmente foi embora cedo. Não deu tempo do brasileiro se identificar com ele, mas acertou ao ir jogar no futebol italiano. O Milan é excelente para um brasileiro virar ídolo, vide Kaká.

Pato não é mais aquele inocente jogador em que um dia a diretoria do Milan pensou em emprestá-lo a outro time para ganhar experiência. É como ter um três de zap nas mãos e escondê-lo sobre as demais cartas. Não dá, tem que descer esta carta na mesa o quanto antes. Pato já marcou dez gols no Campeonato Italiano desta temporada: chutes precisos, arrancadas fenomenais – pobre Mexes – e uma movimentação constante no parado ataque rossonero. Pato resolveu o ataque do time italiano sob o comando do retranqueiro Carlo Ancelotti, ao lado de Kaká e, algumas vezes, com Ronaldinho Gaúcho.

A camisa 7 da seleção já tem dono. Mas quem leva a 9? De Dourados, MS, para o mundo, o jogador que briga pela artilharia de qualquer campeonato que participa: Keirrison, o K9 do Palmeiras. O ainda franzino garoto de 20 anos ficou conhecido no Brasil pelo excelente futebol que mostrou no Coritiba e foi artilheiro do Brasil em 2008, com 41 gols, sendo 21 deles só no Campeonato Brasileiro. Fez bem ao ir para um clube de grande expressão no Brasil antes de tirar seu passaporte europeu. Chegou ao Palmeiras e não tremeu ao vestir uma camisa de tradição. Dois gols na estreia e mais três em dois jogos da Libertadores. Keirrison é matador nato, tem a frieza de um Romário ao finalizar e a inteligência de um Ronaldo ao se posicionar.

Ganhou as graças do torcedor palmeirense, da imprensa esportiva, mas Dunga ainda não viu. Keirrison mostra qualidade suficiente para vestir a camisa da seleção. Faz gols de todos os jeitos: dribla o goleiro, chuta de fora da área, dentro da área, bate falta, pênalti e mais o que for possível. Junto do rápido ataque do Palmeiras de 2009 tem de tudo para ser artilheiro do campeonato Paulista, já que marcou sete gols nesta temporada. Pato encanta no Milan e Keirrison é o matador do Palmeiras. Por que não a dupla P7 e K9 na seleção brasileira?

Portanto, seja ousado, Dunga. Invente um novo jogo, saia da mesmice – Afonso, Adriano –, não jogue no escuro, apenas escolha as melhores cartas: afinal, temos o melhor carteado do planeta. Não é preciso apelar para o tarô ou misturar o baralho para descobrir o futuro do ataque da seleção. É Pato, Keirrison e mais nove.

por Ricardo Tadeu e Éder Fantoni
Este é o primeiro post que faço em parceria com meu amigo Fantoni, que, num futuro próximo, será um grande nome do jornalismo esportivo.